O presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Fernando Alves Simões, promete fazer caça rigorosa sobre os árbitros reincidentes em erros comprometedores, que colocam em risco a integridade e a credibilidade das competições nacionais.
Eduardo Gito
A informação foi avançada no encerramento do seminário dos juízes que vão apitar na segunda volta do Girabola, evento realizado na sala de imprensa do Estádio Nacional 11 de Novembro. Num tom assertivo e sem margem para ambiguidades, o número um do futebol nacional prometeu um combate frontal contra o que considera uma praga para o futebol doméstico.
“Reuni na segunda-feira, dia 17, com todos os presidentes dos clubes do Girabola e deixei bem claro: acabem com as tentativas de aliciamento aos árbitros. Não há mais espaço para esquemas e influências externas no futebol. Acabou a expressão de que a segunda volta é dos dirigentes. Como vocês dizem, ‘vamos muenar aonde’?”, afirmou o presidente da FAF, espelhando rigor e transparência.
Com um olhar voltado para a elevação da qualidade da arbitragem angolana, Alves Simões assegurou que haverá uma divisão clara entre os bons e os maus juízes. “Os bons árbitros estarão sob a supervisão do presidente do Conselho de Arbitragem, o senhor Hélder Martins. Quanto aos maus, eu próprio irei tratar deles. O nosso futebol tem de ganhar respeito, é um produto vendável e, para o tornar rentável, temos de garantir a sua credibilidade”, destacou.
A polémica em torno da arbitragem ganhou novos contornos após recentes ocorrências no Girabola, incluindo a agressão ao jogador Bruno de Jesus, do 1.º de Agosto, por parte de um atleta do Kabuscorp.
O presidente da FAF sublinhou que os árbitros devem utilizar os instrumentos disciplinares à disposição. “Os cartões amarelo e vermelho existem para serem utilizados. Vamos evitar erros propositados, especialmente aqueles motivados por pequenos ‘trocos’ recebidos nos caminhos fiotes”, advertiu, numa clara referência a alegadas práticas de corrupção na arbitragem.
Fernando Alves Simões também estendeu o alerta para os comissários de jogo, destacando que estes devem actuar com imparcialidade e transparência.
“Se um dirigente vos oferecer um milhão de kwanzas para influenciar uma partida, escrevam isso nos vossos relatórios e entreguem-me o dinheiro. Eu dar-vos-ei o dobro”, disse, reforçando a disposição para erradicar quaisquer práticas anti-éticas.
No que toca à recente polémica envolvendo o treinador Zeca Amaral, do Wiliete de Benguela, na partida contra o Desportivo da Lunda-Sul, Simões disse aguardar um relatório detalhado sobre os factos ocorridos em Saurimo.
A FAF quer esclarecer todas as dúvidas sobre a actuação da equipa de arbitragem e os eventuais prejuízos causados a qualquer uma das equipas em campo.
O presidente da FAF deixou ainda uma mensagem aos clubes, apelando à profissionalização dos departamentos de scouting, de modo a garantir uma melhor análise de lances duvidosos e proporcionar provas concretas sempre que necessário.


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