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Professor festeja 50 anos com esperança de uma Angola melhor



 Isaac Samba Ndala, professor de profissão, completa, no dia 16 de Março, 50 anos de idade, os mesmos da conquista da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975.

Evalina Pascoal | Menongue


Natural do município do Cuvango, província da Huíla, Isaac Samba Ndala é professor de Língua Portuguesa há 33 anos, colocado no Complexo Escolar Hoji-ya-Henda, em Menongue, onde vive há 34 anos. O Jornal de Angola conversou com ele, por ocasião da jornada dos 50 anos da Independência do país.

Professor da 8ª classe, Isaac Samba Ndala carrega não apenas o peso da experiência, mas também a esperança de ver o país que tanto ama alcançar o seu potencial.

Com 50 anos de vida e 33 anos de serviço, Isaac diz ser um testemunho vivo das transformações de Angola, dos desafios da Independência às cicatrizes da guerra civil, e da lenta, mas persistente, caminhada “rumo à reconstrução nacional”.

Bastante acarinhado pelos seus alunos, o professor sente que está a crescer com o país e considera que, nos últimos 50 anos, muita coisa foi feita em prol do bem-estar dos angolanos, com realce para a construção de milhares de escolas do ensino primário e superior.

“A independência, embora oficialmente proclamada em Novembro de 1975, já era um sentimento que pulsava nos corações dos angolanos muito antes disso”, enfatizou.

Isaac Ndala conta que durante a infância participou da Organização dos Pioneiros Angolanos (OPA), criada para inculcar nas crianças os ideais da nova nação e de respeitar sempre os símbolos nacionais e os mais velhos. “Tínhamos livros gratuitos, calçados e muito mais. Era uma coisa linda”, relembrou.

Segundo Isaac Ndala, a educação, naquele altura, era uma das maiores prioridades do Governo, e havia um esforço genuíno para garantir que as crianças angolanas tivessem acesso ao conhecimento, algo que, sob o domínio colonial, era reservado a poucos. Mas a euforia da Independência, disse, logo seria abafada por uma realidade dura, a disputa política entre os principais movimentos, o MPLA, UNITA e a FNLA, que mergulharam o país numa guerra civil.


A esperança de 1992

A partir do final da década de 1970, Angola deixou de ser apenas uma nação recém-liberta para se tornar num campo de batalha ideológica, com potências estrangeiras que financiaram os lados opostos da guerra civil.

Para Isaac Samba Ndala, a guerra não era um conceito tão afastado, eram sons de tiros, as notícias tristes de vizinhos desaparecidos e a constante ansiedade dos familiares em não saber sobre o que traria o dia seguinte.

“A paz de 1992 trouxe esperança, mas também complicações. Foi nesse período que terminei os estudos, na Escola n.º 5 de Abril, no bairro Calombilo, arredores da cidade do Lubango, província da Huíla”, afirmou.

A trégua foi breve, porque o país voltou a mergulhar num conflito armado, após as eleições de 1992, e só em 2002, com a morte de Jonas Savimbi, líder da UNITA, Angola finalmente alcançou a paz definitiva.

Isaac Samba Ndala lembra-se, também, das dificuldades enfrentadas durante esses anos. “Perdemos muitos direitos que tínhamos na infância. As escolas estavam abertas, mas faltavam professores, materiais e o medo era persistente”, sublinhou.


Fim da guerra marcou o início de uma nova fase

“O fim da guerra, em 2002, marcou o início de uma nova fase para Angola e para mim. A reconstrução do país era urgente, infra-estruturas destruídas, milhões de minas terrestres espalhadas pelo território e uma população traumatizada pelos anos de conflito. Para mim, o verdadeiro desafio estava nas salas de aula”, disse o professor.

Segundo Isaac Samba Ndala, Angola enfrentou muitos desafios económicos e políticos, mas o maior deles, sempre foi a educação. “As infra-estruturas não eram tudo, não bastava construir escolas, era preciso formar professores, garantir materiais, e, acima de tudo, resgatar o valor da educação na sociedade”, enfatizou.

A educação, apontou, é uma responsabilidade compartilhada. “O papel do professor vai além da transmissão do conhecimento, porque é considerado como segundo pai ou mãe, devido ao papel preponderante que tem de moldar o carácter e a mentalidade das crianças”, sustentou.

Como professor, Isaac dedica a sua vida a educar as novas gerações que vão liderar o país.

“Olhando para trás, não vejo apenas os desafios e dificuldades, mas também os avanços, conquistas e, acima de tudo, mantenho viva a esperança de que Angola continuará a se erguer, guiada pela força do seu povo e pela determinação dos educadores”, ressalto

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