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Resgate das peças de arte é um processo complexo e custa caro




 A restituição das peças de arte angolanas que se encontram fora do país deve contar com um maior empenho do Governo de Angola exortaram, quinta-feira, em Luanda, o historiador de arte Adriano Mixinge, o director do Museu Nacional de Antropologia, Álvaro Jorge, e o coordenador de programação cultural do Goethe Institut, Ngoi Salucombo.

Gil Vieira Jornalista

De acordo com os interlocutores, que falavam durante uma conversa acerca da restituição de objectos culturais, no Museu Nacional de Antropologia, em Luanda, o processo de restituição precisa de uma decisão do Estado, por conta da complexidade e do elevado custo.

O coordenador de programação cultural do Goethe Institut, Ngoi Salucombo, explicou, por exemplo, que é difícil as entidades privadas cuidarem do processo, por envolver investigações para se saber onde os objectos se encontram e em que condições estão, viagens, negociações e outras questões que envolvem um alto custo, que apenas o Estado conseguiria cobrir.

“O processo de restituição têm custos elevados, por isso, se o Estado não encarar como um processo governamental, será ainda mais complicado reaver os objectos”, disse. 

Para Ngoi Salucombo, o Estado deve ser o ente a tomar a dianteira, por conta da complexidade do processo. Entretanto, continuou, não precisa ser o Estado, necessariamente, a executar, mas deve mostrar-se disponível em apoiar os investigadores e demais entes privados interessados na restituição. 

Por outro lado, o historiador de arte Adriano Mixinge afirmou a necessidade de ser o Estado a negociar com os países que têm as obras de arte angolanas. 

Segundo o historiador, internamente e com o empenho do Governo, pode-se saber onde as peças estão, como estão, como se pode recuperar e conservar. É difícil, disse, mas não é impossível. 

“A desculpa de não termos condições para conservar as peças não pode ser uma justificativa para a falta de empenho na restituição. É verdade que podemos ter melhores condições, entretanto, enquanto não as temos, devemos pensar na reconstituição de modo adaptável às nossas condições e à nossa história”, afirmou.

Adriano Mixinge apelou ter de haver um duplo processo de restituição, um que é interno, porque se deve conservar e tornar acessível as peças que se tem em Angola, e o outro externo, o de recuperar as peças que estão fora do país.

Num hipotético cenário de restituição externa, disse, é necessário repensar o museu para um centro de educação ou centro recreativo, de forma a se pensar no museu do futuro. Adriano Mixinge defendeu ser necessário saber como se vão reinventar, com a restituição, os espaços culturais do país.

“Se o Estado fizesse, também, grandes investimentos na cultura, teríamos muitos benefícios, tanto financeiros quanto a nível da educação do país”, afirmou.

Por último, o director do Museu Nacional de Antropologia, Álvaro Jorge, defendeu que a restituição é um trabalho que se deve começar já, e precisa da contribuição de órgãos do Estado como o Ministério da Cultura e Turismo e o Ministério da Educação, de museus e investigadores, que inclui professores e estudantes. 

Segundo o director, o processo de restituição deve acontecer paulatinamente, e à medida que se recuperam os objectos, vai se criando condições para a sua conservação.

“Há objectos que devem ficar nos museus e outros devem ficar nas comunidades”, disse, acrescentando que o objectivo de se ter as colecções de volta não é para armazenação, mas, sim, para estudo e exposição ao público. 


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